Johanna

June 2, 2009 - One Response

Sentimentos misturados, como num liquidificador. Não saberia distingui-los ou denominá-los. O que sei é que estão lá, aqui, em toda parte.
Hoje lembrei de ti, assistindo a um filme do Godard… A moça do filme tinha algo que lhe era semelhante, talvez fosse a simplicidade pedante, ou a vontade de concluir algo extraordinário… Não sei ao certo. Mas sei que por alguns segundos foste tu quem eu vi, e foi o teu gosto que eu senti, o mesmo gosto daquelas tardes que passávamos em tua casa, onde tinhas o sorriso tímido, mas as pernas nada acanhadas, que me entrelaçavam com uma força que quase me fazia sufocar. E das conjecturas que fazíamos, como belos estratagemas, sem nexo ou finalidade, apenas pelo simples fato de nossas sinapses estarem em sintonia, só as nossas, e de ninguém mais.

Sometimes I miss you.

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Grey matters

December 29, 2008 - 4 Responses
No quarto de paredes cor de abóbora e com suas cortinas negras, sempre cerradas, é ali que me encontro. Num robe cinza-chumbo, puído, cabelos desgrenhados e um cigarro queimando entre os dedos…
No toca-discos, Jacques Brel, em um tom melancólico e decadente, combinando com o restante do cenário.
A claridade insiste em penetrar por entre as frestas das cortinas negras como carvão… Feixes de luz invadem o quarto, finos e lancinantes, como um punhal no peito.
A fumaça brilha quando os encontra, dando um tom quase celestial, que dançam e criam suaves arabescos etéreos, alvos e delicados, como belas bailarinas de gestos sutis, escondendo a dor aguda de seus passos.

O calor aumenta e eu sinto o suor escorrer pelo meu rosto. Não sei há quanto tempo estou aqui, inerte. Talvez se eu contasse quantas pontas de cigarro estão jogadas pelo quarto, ou quantos cigarros ainda me restam…
Exalo fumaça pelos poros, acredito estar com a mesma tonalidade deste robe velho, roído por ratos… como uma louca depressiva, mal-cuidada… com a boca seca e olheiras profundas.

Preciso de água, para lavar o corpo, e a alma.

Eyes wide open

December 18, 2008 - One Response
Hoje fui arrebatada por uma euforia funambulesca, você sabe, não sabe?
Não sei ao certo o que me provocou tamanho contentamento; uma euforia disforme e infrene, como que causada por algum tipo de droga alucinógena, que adentrou as minhas terminações nervosas, provocando um turbilhão de emoções tão profundas, que há muito eu não sentia.
Ah! E as sensações que tive?!
Como uma grande epifania, a descoberta de algo tão deslumbrante, e que sempre esteve ali. E eu, por ser displicente, sempre ignorei a sua existência…
E caio aos prantos como uma criança que foi esquecida pelos pais em algum parque de diversões.

Caio aos prantos ao me dar conta de que o mundo possui cores tão vívidas, e eu só enxergava cinza, às vezes azul…
Pois agora estou, definitivamente, fora desse daltonismo emocional.

La vie en rose

October 31, 2008 - Leave a Response

Costumava fantasiar as situações, quase que transformando tudo à minha volta em ficção. Não sei ao certo quando isso começou, mas acho que sempre fui assim.
Talvez porque a realidade seja uma velha decrépita, tão gasta e desbotada que não existe motivação para apreciá-la. Será isso? alergia à realidade… essa, indelével, que me causa um prurido insuportável e vontade de fugir. No entanto, grande parte das minhas tentativas são frustradas.
Então, me entrego à auto-indulgência e escapo apenas por alguns minutos, através das músicas, dos livros e dos filmes, que me proporcionam alguns momentos de genuína satisfação e sensações que só assim consigo vivê-las. “La vie en rose
Me sento à janela, olho o mar enquanto fumo um cigarro e ouço alguma cantora francesa com a voz adocicada, mergulho num poço de sensações tão intensas, às vezes sofridas, às vezes eufóricas. Tenho essa capacidade de adentrar novos universos, sentir, absorver o que me chama a atenção. São essas, são essas as coisas que me formam e modificam, algumas delas permanecem, enquanto outras, são etéreas.

cheers darlin’

September 30, 2008 - 2 Responses

Pois ontem foi o meu dia, 23 anos. Eu não gosto de comemorações, mas fiquei feliz ao ver tantas pessoas queridas me desejando todo aquele blá blá blá que se deseja em aniversários.

Mas eu achei que ao menos assim você viria falar comigo.

Um brinde às decepções, they never stop coming.

3h27

September 23, 2008 - Leave a Response
3h27
Eu dormia, mas o telefone tocou. E tocava aquela música, a tua música, sabe? é…aquela que me faz lembrar de você e que eu não mudei, sei lá por quê… Deve ter tocado umas duas vezes, até eu me dar conta de que a música não fazia parte do sonho que eu estava tendo naquele momento. Pois acordei, vi que era você. Hesitei, confesso… Mas como era de se esperar, atendi.
Tenho a absoluta certeza de que estavas bêbada, pois só assim para me ligar, depois de tanto tempo. Mas foda-se, estremeci ao ouvir a tua voz, aquele teu riso tímido seguido de uma gargalhada e palavras doces.
Acho muito estranha essa sensação de clamar por algo que nunca existiu, com tanta intensidade, ou mesmo o sentimento de perda e angústia que às vezes me toma, perder o quê? temer o quê? I have no idea, mas me sinto assim de quando em vez.
Me deparei com uma realidade paralela, o chão era feito de nuvens, e o céu coberto de fogo, e eu queimava por dentro ao pensar em coisas, coisas tão efêmeras que eu já não lembro mais.
Mas me contenho, aprendi. Porque é mais seguro quando se tem os pés no chão.

Por que tentar voar quando não se tem asas? nem sempre o tombo vale a pena.

Cicatriz.

Niet

September 19, 2008 - Leave a Response

Algumas coisas nunca mudam, não importa o quanto você tente, elas simplesmente permanecem ali, no mesmo lugar.
Como tatuagem.

C’est tout

July 1, 2008 - One Response

E eu fiz tudo errado, mas isso é comum.
Me entreguei demais, me abri demais, tudo foi demais.
Nunca houve miséria, todos os sentimentos e sensações eram exponenciais, nunca houve moderação.
Pro bem, ou pro mal.
Sim, pro mal também, agora me sinto vazia… exorbitantemente vazia, fumo cigarros, um atrás do outro, na esperança de preencher esta cavidade oca com fumaça e o ar cinzento da metrópole.
Esta metrópole, aliás, que não ajuda em nada nesses momentos. As pessoas são distantes, não há proximidade, e no momento, é o que eu mais preciso.
Preciso que alguém me pegue pelos braços e me dê um chacoalhão, que me mande acordar, e que me diga que a vida não é só isso.
Existe algo além, algo maior… Eu não posso ser a maior sofredora do mundo, embora pareça assim. Ontem, e anteontem, e hoje… sou toda lágrimas, olheiras, depressão e idéias masoquistas. Como a típica adolescente dramaqueen megalomaníaca.
Amores vem e vão, é o que dizem… Mas sinto como se este fosse o último.
E quer saber? isso me revolta, porque sequer tive a chance de mostrar tudo o que eu podia, porque não existe paciência nesse mundo, porque querem tudo pra já, agora, rápido…
Pois não sabem que as melhores coisas levam tempo, crescem e germinam? comigo sempre foi assim.

Nunca fui do tipo “felicidade instantânea”… mas a tristeza sempre nos arrebata primeiro, right? como uma grande onda destruindo castelos de areia, tão milimetricamente perfeitos e admirados por alguns instantes.

C’est la vie
C’est tout
C’est fini

Haunted

May 15, 2008 - One Response

Odeio fantasmas, mas um dia eu aprendo a conviver com eles.

15-04-07

May 7, 2008 - Leave a Response

ela me olha, de um jeito diferente. não como eu esperava, mas me olha. eu sufoco o choro por dentro e sorrio enquanto tomo um gole de cerveja. o meu sorriso é tão grande quanto o desespero que me toma por inteiro. orgulho, orgulho nunca foi bom, mas parece inevitável… no momento não haveria postura mais plausível.
é o medo de se deixar humilhar, de se sentir vulnerável diante de uma pessoa que toma seus pensamentos por completo.
toda semana me condiciono a seguir os 7 passos, mas eu chego ao meio e volto à estaca zero. é um ciclo vicioso, inexorável, parece não ter fim.
o isolamento talvez seja a única saída, uma quarentena forçada, amarga, parca.
a incerteza, o medo de perder aquilo que na verdade nunca foi tão palpável assim é uma coisa devastadora.

Felizmente o mundo continua a girar, e eu, a esquecer.